Meu Amigo.

Você nasceu no mesmo dia que eu. Passamos todos meus quase 21 anos um ao lado do outro, mas só nos notamos em pouco menos de 2 anos.

Eu, sem saber, cuidei de você por todo esse tempo e você, claro, retribuiu. Te escondi quando as pessoas, inclusive eu, tentaram te enfrentar. Você me protegeu de encarar muitas situações perigosas, que podiam machucar meus sentimentos.

Já me falavam de você, te conhecia por outras pessoas. Minha mãe me alertou sobre você por vários anos, mas nunca dei muita bola. Não era comigo, então não me importava.

Os alertas começaram quando eu tinha apenas 12 anos. Meus pais haviam se separado, me mudaram de colégio e, então, os primeiros sinais da sua influência sobre mim apareceram. Foi horrível, mas você se afastou quando eu voltei para o meu colégio anterior – estratégia de minha mãe para me afastar de péssimas influências como a sua.

Ineficaz. Uma vez que algo desse porte entra na sua vida, não há como impedir o contato.

Cada vez mais você influenciava quem eu era, como eu me comportava em grupo, como eu tratava cada um individualmente, como eu falava, como eu andava, como eu dormia, como eu comia, como eu respirava.

Cheguei a engordar. Engordar muito. A médica me dizia “Está vendo aqui? Você se qualifica como obeso!”. E você me cobrava isso todo santo dia. Toda olhada no espelho, todo banho tomado, todo esporte praticado, toda rejeição. Você dizia que eu era gordo.

Me achava burro. Você também. Você comparava com meus colegas de sala cada décimo a menos que eu tirava na prova.

Com a vontade de criar arte, mostrei cada pequeno trabalho que fiz para você e a alegria que sentia por cada um. Você dizia estar bom, mas que talvez era só coisa da nossa cabeça, que talvez todo mundo fosse me achar péssimo.

Não só como artista, mas como pessoa, eu fui me fechando numa bola, porque você me dizia que assim estaria protegido. Não enfrentaria as pessoas e não sofreria.

“Que grande amigo tenho”, eu pesava sobre você, “Me protege do destino horrível que o mundo reserva para alguém tão péssimo quanto eu”. Sempre fui muito dramático, você sabe. Não posso te culpar por tudo.

Em 2014 vivi o, até agora, momento mais importante da minha vida. Afim de ajudar meu pai, tive que sair da bolha que você construiu para mim. Não que eu não gostasse dela, mas você entende, né? Eu precisava fazer isso tanto pelo meu pai, quanto por mim.

Na verdade… Acho que você não entendeu muito bem na época. Fez de tudo para me atrapalhar. Era um retrospecto da época em que mudei de colégio. Você me afetava mais do que nunca. Peço perdão ao meu pai por não ter conseguido dar o melhor de mim, mas ainda não conhecia o alcance dos efeitos que você tem sobre mim.

Não foi o melhor ano de todos. Engordei 12kg além dos que eu já tinha em excesso. Fiquei mais recluso do que antes, apesar de estar entre pessoas. Tudo por você.

Também não foi o pior ano de todos. Fora da sua bolha, aos poucos fui treinando sair da reclusão. Aprendi a conversar com as pessoas, olhar no olho, ser sincero. Descobri, depois de anos 2 fora do colégio, o que eu queria fazer da minha vida, encontrei um foco. O mais importante, talvez, é que comecei a enxergar você e o que é capaz.

No começo de 2015, ameaçado, você me responsabilizou por tudo de ruim que havia acontecido no ano anterior. E eu comecei a procurar soluções. Fui atrás de profissionais que pudessem investigar e me dizer quem é você de verdade.

Foi com a ajuda de um psiquiatra e um remédio que encontrei uma forma de controlar o que você fazia em mim.

Foi com a ajuda de um psicólogo que aprendi táticas para me desvencilhar de você quando decidisse intervir na minha vida.

Foi assim que eu pude ser eu. 2015 passava e pela primeira vez na minha vida, com 20 anos, eu me sentia: inteligente, interessante, sociável, com algum valor.

É assim que hoje sei te identificar. Sei as formas que você toma e como elas me afetam. E, mais importante, sei que você vai estar comigo até o fim.

Não só isso, mas aprendi a ver seu lado bom. Aprendi a te ouvir quando você aparece para me proteger. Aprendi que você é parte do que eu sou hoje e não posso te negar.

Você me ensinou a sobreviver. Eu estou aprendendo a viver.

E nesta madrugada de uma segunda-feira você vem a mim, na sua visita rotineira, com as preocupações e os afazeres da semana. E eu venho aqui escrever esse relato, não querendo que leiam, mas para me lembrar de como você já moldou e mudou minha vida a sua maneira e porque não vou deixar que aconteça novamente.

Setembro é mês do meu aniversário. Também é conhecido Setembro Amarelo, mês da conscientização sobre a prevenção do suicídio e suas causas.

O distúrbio de ansiedade afeta muitas pessoas, cada uma de formas diferentes. Procure informações sobre, tente ajudar as pessoas mais próximas de você que, as vezes, estão sofrendo e não sabe identificar o porque.

Her (ou Os Inesperados Questionamentos)

Finalmente assisti Her. Foi uma saga épica do ponto em que decidi assistir até o momento em que os créditos subiram. Mentira. Na verdade foi uma longa jornada cheia de adiamentos da minha parte e por um motivo em particular: eu detesto romances românticos.

Okay, vamos do início. Tudo começou em Janeiro de 2015, quando eu procurava um filme para alugar no Tempo da PipocaTV™ e vi o cartaz do filme. Pensei “poxa já ouvi falar, fiquei curioso pela parte da ficção científica, mas tem aquelas parte de romance meh” e dei play para assistir, porque não custa nada, afinal (brigado internet).

Depois de 15 minutos assistidos, estava extremamente incomodado com as legendas dessincronizadas, o filme começou a travar e todo começou a parar, demorava 10 minutos pra passar 10 segundos de filme o audio tava travando tava ficando tudo horrivel meu deus do céu que que ta aconteno as coisa tao paranominhainternetnaoeramaisamesma… Fechei o aplicativo de locação ilegal de filmes e as coisas voltaram ao normal.

Eu poderia ter tentado outro dia? Poderia. Eu poderia ter simplesmente alugado por outros métodos ilegais? Poderia. Poderia ter comprado o filme? Oras! Mas é claro que poderia! Porém eu decidir simplesmente não ir atrás, que, talvez, tenha sido a pior das opções.

“Tudo bem, mas então como você assistiu?” você finge perguntar nesse momento…. sério… finge que você me perguntou… não! não agora! espera eu terminar, aí você me pergunta! tá, quando eu contar até 3 você pergunta 1…. 2…. NAO! ESPERA EU TERMINAR! Okay, vai lá 1…. 2…. 3…. “Tudo bem, mas então como você assistiu?”. Bom, eu te digo! O Tempo da PipocaTV™ tinha morrido, mas como uma fênix em chamas ressurgiu das cinzas e voltou a funcionar mas não conte pra polícia.

Se eu fosse inteligente o suficiente, estudaria muito, passaria na melhor faculdade de física, me formaria, faria pós graduação, mestrado, doutorado, tudo que fosse possível na área de física quântica, faria inúmeros estudos sobre teoria de cordas, faria experimentos, tiraria conclusões, entenderia o universo e como ele funciona, criaria uma máquina do tempo, voltaria no dia em que eu decidi não assistir Her e daria um soco na minha cara.

Sei que disse que detesto romances, mas tem uns tão ótimos, com histórias tão boas, com desenvolvimento tão bacana e situações tão reais que acabo ficando sem alternativas, me resta só gostar para caralho do filme e aplaudir que fez.

Sobre esta película (chegou aquele momento em que eu já usei todas as palavras sinônimas à filme e agora tô só apelando para o dicionário online): É um tripé apoiado em romance, drama e ficção-científica (desculpa, não sou profissional da área de catalogação de filmes). Se passa num futuro tétrico e palpável. Tão possível que TALVEZ – e isso é só um talvez – alguém, no futuro, criou um máquina do tempo e mandou Her para o passado (e não pra dar um soco na sua própria face) e que, na verdade, é um documentário.

Her já começa te situando no universo em que se passa. Acompanhamos a vida de Theodore que tem o peculiar emprego de escrever cartas de fulaninhos para fulaninhos próximos. É tão bizarro que ele escreveu cartas de amor de um casal desde o começo do relacionamento e sabe detalhes tão íntimos que possibilita as cartas ficarem mais profundas.

Tendo esse contexto, vemos que Theodore é, ao contrário dos seus clientes e do que suas cartas mostram, sozinho e muito deprimido graças a alguns acontecimentos entre ele e sua esposa. Com um pouco mais sobre o universo, descobrimos que o mundo todo é literalmente conectado, você está sempre com um smartphone e um fone de ouvido em que consegue ouvir propagandas de outdoors nas ruas e fazer tudo o que já fazemos hoje, só que de modo muito mais assustador.

Com seu fone, Theodore ouve sobre um novo sistema operacional/inteligencia artificial muito avançado e decide adquirir. Ele pede, o treco chega por encomenda, ele abre, instala, o computador pede informações e preferências, o cara fala tudo, conta da mãe, o computador manda “aguarde um instante vamos estar te transferindo” e de repente:

– Hi.

Você ouve a voz de Scarlett Johansson como a Inteligência Artificial, mas não igual as outras vozes de computadores que estamos acostumados. Não é aquela voz pausada e robótica sem emoção. Ela fala “Hi”, mas a voz dela dá uma leve falhada, tipo aquele “oi” tímido que você manda quando acaba de conhecer alguém bacana.

Nesses primeiros momentos de conversa a IA decide se chamar Samantha por que ela achou o nome bonito e você, junto com Theodore, percebe que não é uma simples inteligência artificial.

O filme faz um paralelo muito interessante ao mostrar alguém deprimido, sozinho, num mundo onde as pessoas estão mais distantes e frias, aprendendo a sentir sentimentos com um Sistema Operacional que também está aprendendo a sentir e esta se descobrindo. É uma troca de conhecimentos e aprendizagens entre um ser humana e uma inteligência artificial.

Toda ficção-científica boa tem que te trazer questionamentos e esse Her me trouxe vários. Porque o relacionamento entre um humano e um robô é tão creepy, pelo menos a primeiro momento? Porque o robô sentir parece algo tão falso? Só porque ele teve uma base programada? O que difere os pensamentos de uma máquina dos pensamentos de um humano, sendo que a máquina por si própria?

Samantha realmente foi programa, mas foi só sua base de aprendizado. Ela realmente está aprendendo a pensar por si só, a ter sentimentos, a ter consciência. E não é isso que nos separa dos outros seres? A consciência não é o fator principal para nos qualificarmos como os “seres racionais” deste planetinha? Só porque ela não tem forma física em si quer dizer que ela não pode amada ou ser amada? Só o contato físico é o importante numa relação? Não sou eu ou quem fez o filme que vai te responder essas perguntas.

Her tem a magia da aplicabilidade, não impõe um pensamento ou uma ideologia, te faz pensar e você, com sua história de vida, com sua bagagem, com seu contexto, encontra as respostas e o que sentir diante destes questionamentos.

Outro Tiozin! (ou O Inesperado Conto da Madrugada – Parte Final)

Um Maluco entrou pela porta e disse “Oh tiozin! só cala a boca, passa o que tivé e fica tudo certo! Cê e o Outro Tiozin

Quando acordou, não esperava ver o cano preto da morte. Ninguém espera. Seria apenas mais um dia normal…

Acordou com o despertador às 5 da manhã. Ele e a mulher se levantaram em sincronia e caminharam até o banheiro no mesmo ritmo sonolento. Tantos anos de casados permitiam o desfruto da intimidade. Enquanto ele tomava banho, ela usava as outras partes do banheiro, depois trocavam de lugar e por fim, enquanto ela terminava o banho, ele saía para quarto, vestia uma roupa leve, calçava o chinelo e se dirigia até a porta.

Todo dia andava até uma padaria perto para comprar o desjejum. Achou essa manhã particularmente especial. O céu cinza e a brisa fresca o lembravam de um inverno que a muito não presenciava. O orvalho das poucas árvores que encontrava no caminho o fazia esquecer da sua asma por rápidos momentos. Fazia questão de caminhar esse percurso todos os dias.

Na volta para casa cruzou com Um Cara, “Opa! Tudo bem? Já vai pra mercearia?”, disse ao cara, “E aí! Tudo tranquilo! hahaha tô indo bem cedo hoje, senão me atraso pro serviço, né”, respondeu ao homem. Pediu para o cara mandar um abraço para seu amigo, dono da mercearia, que era seu amigo de longa data.

Ao chegar em casa, deixou o saco de pão ao lado da cafeteira quente. Sua mulher já havia feito o café e agora seu arrumava no quarto à passos módicos – aproveitava a recente aposentadoria – enquanto ele se sentou no sofá da sala com uma xícara na mão e ligou a TV. Assistia a um programa sobre a vida na selva.

Era sobre um leopardo que caçava um babuíno. Depois de eliminar sua presa, o leopardo descobre que ela carregava um bebê, agora órfão. O felino adota e cuida deste pequeno macaco como se fosse sua cria. O homem se perguntava se a mãe natureza era linda, justa ou as duas ao mesmo tempo.

Antes que pudesse encontrar uma resposta, sua esposa sentou ao seu lado, pegou o controle remoto e disse “olha, muito bonita a história, mas se eu quisesse tanto drama assistiria a novela” e ele respondeu “hahaha eu já tenho que me arrumar mesmo”. Se levantou e foi até o quarto se vestir para o trabalho, mas ainda conseguia ouvir um pouco a TV “… mais um assalto a mão armada deixa vítimas no centro da cidade. É o terceiro em um mês. A polícia desconfia que todos foram executados por um mesmo indivíduo…”.

Não deixou de notar um comentário feito pela esposa “Cruzes! Se eu quisesse tanto drama assistiria ao Animal Planet!” e esboçou um sorriso. Sempre que sorria assim se lembrava porque havia se apaixonado por ela. O bom humor dela sempre facilitou todas as dificuldades que enfrentaram juntos ao longo dos anos. E isso o fazia sorrir mais.

Terminou de se vestir, deu um beijo em sua mulher e foi para o trabalho. Sempre gostou de sua profissão, mas o tempo o pegará de jeito e pensava em acompanhar sua esposa na aposentadoria. No horário de almoço, enquanto ia para um restaurante, recebeu uma ligação. “Alô, pai, tudo bem? Só liguei pra avisar que cheguei aqui! O voo foi tranquilo e o hotel que a empresa me mandou é bacaninha até. A Juliana não pôde vir, tinha que fazer um outro ultrassom, mas tá tranquilo, a irmã dela foi junto![…]”.

Seu trabalho de contador se estendia até às 17h da tarde, às 17h30 ele saía e voltava para casa. Porém, hoje, se lembrou da conversa que teve com Um Cara e decidiu fazer uma de suas visitar ao seu velho amigo da mercearia. Ligou para a mulher e avisou que chegaria mais tarde, “aaah fala pra ele que estamos convidando-o para um almoço aqui no domingo e que é pros filhos deles virem também!”, ela disse antes de desligar.

Pegou um ônibus e chegou no estabelecimento do amigo por volta das 18h00. Conversaram por um tempo, tomaram uma cerveja, relembraram velhos momentos e combinaram próximo encontro no domingo.

Nunca mais se veriam. Nunca mais veriam ninguém.

Às 19h27, Um Maluco entrou pela porta e disse “Oh tiozin! só cala a boca, passa o que tivé e fica tudo certo! Cê e o Outro Tiozin

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Na manhã seguinte, Um Cara fazia sua caminhada matinal até uma mercearia. De longe ele avistou um movimento na frente da loja. Algumas pessoas, ainda de pijama, estavam na rua, enquanto a polícia conversava com alguns moradores do bairro.

Ele se aproximou de um jovem e perguntou “Oi, com licença, que que aconteceu aí?”, o jovem respondeu “Você não ficou sabendo? Ontem subirusdoistiozin que estavam aqui na mercearia…”

A Força Despertou (ou Inesperado Post Que Te Convencerá, SEM SPOILER, a Assistir Star Wars 7)

Que ótimo! Você já deu uma chance pro post! Já é um passo, vamos seguindo..

Existem dois tipos de pessoas vivendo neste planetinha: as que assistiram Star Wars e gostaram e as que assistiram Star Wars e ficaram “meh”. Há quem diga sobre um outro tipo, os que nem viram Star Wars, mas essas nem estão de vivas de verdade.

Se você já assistiu Star Wars e gostou, meu argumento pra você assistir o novo filme é: mano que que cê tá fazendo aqui lendo isso?

Se você assistiu e achou “meh”, mas curte filmes divertidos e acha cinema um ótimo passatempo, abunde-se aqui do meu lado que eu vou te guiar pelo caminho da luz.

Primeiramente quero deixar claro que entendo quem não gosta de Star Wars hoje. Alguns mais velhos não iam no cinema quando mais novos, os mais novos não eram nascidos pra ir no cinema e, por isso, talvez não estejam acostumados com o ritmo diferente e alguns efeitos da primeira trilogia – embora, hoje, é mais fácil encontrar DVDs com os efeitos atualizados do que as cópias originais – que, a propósito, são ótimos filmes de aventura até hoje. Há quem tentou assistir a trilogia mais recente, mas ela não chega aos pés do que é a primeira, com o nível de aventura baixíssimo e ritmo mais lento que assistir grama crescer – sem contar que a história desses filmes deveriam explicar um pouco mais do universo de Star Wars, mas acabou confundindo mais ainda as coisa, um desastre!

Segundamente: se eu chegasse pra você e falasse “ou vai lá ver o filme é mór bom” você provavelmente me responderia “ah sei la” ou “já tentei assistir os outros, mas pff” ou “não é pra mim esses filme de navinha pew pew pew espadinha” e você provavelmente nem iria assistir. Por isso, além de “ou vai lá ver o filme é mór bom”, eu completo com “esse filme é totalmente diferente, mas ao mesmo tempo igual aos filmes antigos!

“ah mas Pedro como assim??!!” Eu explico jovem padawan!

Os novos episódios dessa saga terão o mesmo senso de aventura, de diversão, de mistério, TUDO dos filmes de 1970~80 que os tornaram tão memoráveis e marcaram tantas pessoas. Além disso, pretendem renovar para a geração atual de filmes, com mais rapidez, fluidez, efeitos bacanas, história mais envolvente e coesa! É um mix de tudo o que fez a saga boa com tudo o que pode torna-lá atual e boa para novos espectadores.

Sobre o Star Wars Episódio 7 – O Despertar da Força: Confirma tudo o que disse no parágrafo anterior. Mesmo molde de roteiro de Star Wars 4 – Uma Nova Esperança, porém mais rápido, mais explosivo, mais engraçado, mais divertido, com toques FODAS de nostalgia pra quem já é fã, mais dramático, tudo que era ótimo ficou ainda melhor. Atual é a palavra que define.

Você provavelmente deve pensar “aah até iria assistir, filme de aventura é bacana e tals, mas nem vi os outros filmes…”. Não esquente a cabecinha, pois eu preparei um pequeno resumo pra você chegar com uma noção básica sobre o que tá rolando (apesar de que eu conselho muito fortemente você se esforçar pra assistir e entender a história).

Primeira Noção Básica: Linha do tempo de lançamento dos filmes.

De 1977 até 1983 foram lançados 3 filmes, nesta época sem a numeração, contando uma história fechadinha e bonitinha. Esses filmes são: Star Wars – Uma Nova Esperança, Star Wars – O Império Contra-Ataca, Star Wars – O Retorno de Jedi. O mundo explodiu. Ninguém tinha assistido tais maravilhas. Pessoas ao redor do mundo ficaram fanáticas. George Lucas, o criador da bagaça, aproveitou e inovou no mercado com tantas propagandas e brinquedinhos e tudo o que ele podia pra sugar dinheiro dessa franquia. Pessoas escreveram histórias não-oficiais, algumas se tornaram livros autorizados que expandiam ainda mais o universo e a história de 3 filmes foram crescendo como uma bola de neve descendo a colina.

De 1999 até 2005 foram lançados 3 filmes recentes que explicavam o que levou aos acontecimentos dos 3 primeiros filmes. Por isso, a tal chamada “trilogia nova” é numerada do 1 ao 3, e a trilogia antiga é numerada do 4 ao 6. Porém essa parte realmente não importa muito pra quem vai assistir à Nova Nova Trilogia.

Sim, o filme 7 dá início a uma nova nova trilogia.

Segunda Noção Básica: O Que Você Deve Saber.

Tudo se passa há muito tempo atrás, numa galaxia muito muito distante. Não tem nada a ver com a Terra, esquece tudo o que você sabe sobre tecnologia, meio de comunicação, de locomoção, TUDO. Você vai ouvir nomes de aparelhos que ninguém faz ideia do que seja. Isso é feito de propósito pra que você se sinta perdido e pensando “não faço ideia do que é essa tal de rebimboca de pneumatropos alinhados, os cara tão realmente muito avançado”.

O Império dominava boa parte da galáxia e quem mandava na porra toda era o Imperador Palpatine(um Lord Sith, ou um dos cara que usa a força pro mal), junto com seu braço direito/pau mandado Darth Vader(outro coisa ruim que usa a força pro mal). Os dois usavam o lado negro da força para comandar, embora poucas pessoas botavam fé nessa “mística da força”. Eles possuíam uma arma poderosa que destruía planetas chamada Estrela da Morte.

Do outro lado havia a Resistência, os Rebeldes, que lutavam contra o domínio do mal do Império. Uma personagem muito importante para essa luta é a Princesa Leia, que conseguiu dados capazes de mostrar as fraquezas da Estrela da Morte. Ela é capturada pelo Império, mas consegue enviar dois Droids (aquele amarelinho comprido e o baixinho azul e branco, ou C3PO e R2D2) com as informações para o planeta de um dos poucos Jedi (cavaleiros que utilizam a força para o bem), Obi-Wan Kenobi.

Coincidentemente, neste planetinha, vivia um menino faceiro chamado Luke Skywalker. Ele morava com seu “tio” e “tia” num lugar bem desgraçado de ruim, trabalhando na fazenda da família. Um belo dia, dando um rolê com seu tio pra comprar uns robôzinho show pra ajudar na colheita, ele acaba encontrando os Droids da Princesa, compra-os e descobre a informação que eles guardavam. Coincidentemente (muitas coincidências) o menino conhecia o tal Kenobi, leva os droids pro Jedi, descobre que também tem grande controle da Força, que esse Obi-Wan tinha treinado seu pai, mas este foi morto por Darth Vader. Luke descobre que, enquanto procurava o Jedi, seus tios foram mortos por uma galera do Império e decide se juntar à Aliança Rebelde (uhul!). Eles conhecem um vendedor de tranquera/camelô espacial/faz de tudo um pouco que topa-los até a base da Resistência, chamado Han Solo e seu amigo Chewbacca. Eles conseguem chegar, entregam os planos, se juntam e várias navinhas, pew pew pew, explode explode, Darth Vader encontra Obi-Wan, eles lutam, Obi-Wan “morre”, a Estrela da Morte explode, vitória da Aliança Rebelde…. esse é o fim do filme 4 (ué).

Filme 5: A Estrela da Morte foi destruída, mas a guerra contra o Império permanece. Luke descobre que Obi-Wan, através da força, ainda vive como um “espirito” guia. Obi-Wan o aconselha a procurar outro mestre Jedi chamado Yoda para treinar o controle da Força e como evitar o Lado Negro. Luke aprende que, para não cair na desgraça, é necessário não sentir medo, não sentir raiva, ser piedoso, não procurar pelo poder supremo ou pelo caminho mais fácil até ele. Enquanto isso, Han Solo, Leia e Chewbacca estão fugindo do Império, mas acabam caindo numa armadilha feita por um dos amigos de Han, Lando, que foi obrigado por Darth Vader a trai-los. Luke sente que seus amigos correm perigo e pausa seu treinamento para ajuda-los. Han Solo é congelado, Leia, Chewbacca e Lando (arrependido) ficam boladíssimos. Luke chega pra salvar o dia, encontra Darth Vader, eles lutam, UON UON, sabre de luz, UON UON, Darth Vader sabe que Luke é forte e tenta seduzi-lo, Luke resiste, Darth Vader corta sua mão fora e o deixa encurralado diante de um precipício, Luke está sem esperanças, Darth Vader confessa “Eu sou seu pai, olhe no seus sentimentos, você sabe que é verdade”, Luke “NAAAAAAO” e pula do precipício, sendo salvo por Leia, Lando e Chewbacca, que procuram uma forma de resgatar Han Solo. Fim do filme 5.

Filme 6: Eles encontram Han Solo, salvam o cara, vazam dali e voltam pra guerra contra o Império. Descobrem que uma nova Estrela da Morte tá quase pronta e juntam mais uma vez a galera pra destruírem de novo mais uma vez again e por um fim ao Império. Várias coisas rolam, mas o importante é Luke no seu segundo confronto com Darth Vader, agora como pai e filho. Mais espadinha UON UON anda anda ataca defende UON pula UON cai UON Luke derrota Darth Vader, este fica caído no chão aos pés do Imperador Palpatine, que diz para Luke finalizar seu pai ali mesmo e assim entrar por completo no lado negro. Skywalker poupa seu pai e desiste de terminar a luta, o Imperador fica de extremo recalque e manda uns raios do dedo pra cima de Luke. Darth Vader se levanta e encara a cena: O Imperador traidor que queria que ele morresse soltando raios no seu filho piedoso que conseguiu ficar do lado show da Força. Um instinto dentro dele se revolta, ele pega o Imperador, toma uns choque firmeza pra ficar esperto e arremessa o Palpatine num foço desgraçado que faz toda a bagaça explodir! Luke e Darth Vader tentam fugir, mas o Mestre do Mal (nem tão do mal assim) está enfraquecido e não pode prosseguir. Os dois tem um momento bonitinho “pai e filho”, Darth morre, Luke foge e encontra com seus migo que ajudaram a destruir a Nova Estrela da Morte, eles festejam, Leia e Solo formam um casal bonitinho, sobe os créditos, fim!      ?

Muitos anos depois, uma nova ordem, chamada Primeira Ordem, recomeça os trabalhos do Império com a ajuda dos Cavaleiros de Ren, um pessoal que, assim como os Sith, usam o lado negro da Força pra causar destruição e coisa ruim tipo mover estante um centímetro pra você topar o dedinho.

E é daí que começa o episódio 7. Você está situado? Se sente situado? Interessado, no mínimo? Alguma dúvida? É só me mandar e tentarei responder na medida do possível!

Informações Extras: Toda a saga tem o drama sobre a linha tênue entre os lados da Força, é um tema bastante recorrente e discutido até a última luta entre Luke e Darth Vader. Yoda acaba morrendo, mas é meio que de velhice, só que ele volta em “espírito” assim como Obi-Wan.

Por fim, aproveita que o Whatsapp parou por 48hrs, e você não tem o que fazer, e vai assistir um ótimo filme de aventura no cinema. Você vai gostar. Eu sei!

Um Tiozin! (ou O Inesperado Conto da Madrugada – Parte 1)

“Oh tiozin”, a voz interrompeu a conversa com seu amigo, “Só cala a boca, passa o que tivé e fica tudo certo!”

Quando acordou, não esperava ver o cano preto da morte. Ninguém espera. Seria apenas mais um dia normal…

Despertou às 4 da manhã, como de costume. Na cama de casal, só um corpo levantou, calçou seu chinelo e se arrastou vagarosamente até o banheiro. O outro dormia numa cama menos confortável e mais claustrofóbica há 7 anos. Os eufemismos não diminuem a dor.

No banheiro, olhou no espelho e reparou em suas rugas. Se lembrou de um documentário sobre o mundo vegetal e de como é possível estimar a idade de uma árvore pelo número de anéis em seu tronco. Achava irônico que a única forma de contar a idade da árvore seria cortando-a. Lavou o rosto, escovou os dentes, mijou e voltou para o quarto.

Do lado da cama, em cima do criado-mudo, dividindo espaço com a foto de sua esposa, numa moldura de madeira antiga, estava um copo d’água já quente colocado ali na noite anterior. Na primeira gaveta, pegou seu Verapamil, Hidrocloreto de tacrina, Captopril e Oxibutina. Tomou cada com um gole seco da água.

Em passos lentos, caminhou até a cozinha para preparar seu café. Ferveu a água. Preparou o pão. Colocou o pó no coador. Não podia mais margarina, só o queijo branco. Coou o café. Não podia mais açúcar, tomou um gole amargo. Comeu o pão. Olhou para a foto dos filhos ainda moleques pendurada na parede. Terminou o café. Levantou.

Foi até a pia lavar a louça e encarou, pela janela logo a cima da torneira, a madrugada na cidade o tanto que a altura do sobrado permitia. Sentiu o cheiro do orvalho, a brisa leve e fresca, calmo e feliz.

Terminou com a louça e voltou para seu quarto. Ainda com tempo, decidiu se sentar na cama e ler sua Bíblia. Abriu e continuou de onde havia parado na leitura anterior. “O Bom nome é melhor do que um perfume finíssimo, e o dia da morte é melhor do que o dia do nascimento” – Eclesiastes 7:1.

Nunca foi religioso, mas já havia lido a Bíblia algumas vezes. Sua mulher era da Igreja, ele somente a acompanhava. Gostava de algumas passagens que o fizessem pensar e refletir um pouco. Nunca aderiu à doutrina por pensar e refletir demais.

Lembrou da infância. Da casa em que morou, da pequena fazendinha do avô, dos tempos de miséria e fome, dos raros tempos de fartura, de como tinha sonhos, de como ajudava seu pai no campo, de quando tiveram que vender as terras para irem pra cidade. Pensou e refletiu que o dia da morte não poderia ser pior que o dia do nascimento.

Seu pai dizia “Nascemos até virarmos sujeito homem, só depois vivemos e então morremos”.

Passou tempo demais refletindo e pensando. Levantou-se e se vestiu rapidamente, pegou o molho de chaves na cozinha e abriu a porta lateral do sobrado. Desceu os degraus até a frente da mercearia que ficava no andar debaixo e subiu o portão de entrada.

No quartinho no fundo ficava a dispensa com vassoura, espanador, rodinhos, panos, alguns produtos de limpeza. Era 5:12 quando começou a varrer sua lojinha. Às 6:04 havia terminado à pouco, quando duas pessoas chegaram. “Opa, pai, tudo bom? Trouxe seu funcionário do mês!”, disso o primeiro, “Oi vô! Deixa que eu termino de arrumar a loja!”, disse o segundo.

Sempre se deu bem com os filhos e netos, com este principalmente. Sentia que precisava ensina-los alguma coisa sobre a vida, alguma lição que valesse a pena, que significasse algo, que os preparassem para viver antes que ele partisse.

De manhã, o movimento é sempre muito parado. Algumas figuras marcadas passavam por ali quase sempre, como por exemplo Um Cara, que geralmente era seu primeiro cliente, comprava leite, às vezes uma bolacha, trocava uns 5 minutos de conversa e voltava para casa.

De tarde, o movimento é sempre maior. O tempo passava mais rápido, não papeava tanto com os clientes, tinha que lidar com beberrões do bar à frente, às vezes com alguma trapalhada do seu neto ou até com suas próprias. Era o período mais agitado.

De noite, seu neto vai embora às 18h, mas a mercearia fica aberta até às 20h. O movimento voltava a desacelerar e calmaria se instalava. Um amigo de longa data sempre vinha por volta das 18h30 e conversavam até as portas se abaixarem. Depois, ainda dentro da loja, abriam uma cerveja e conversavam por pelo menos mais uma hora. Às 21h se despedia do amigo, subia as escadas de volta para casa e se preparava para dormir.

Não hoje.

Às 19h27, Um Maluco entrou pela porta e disse “Oh tiozin! só cala a boca, passa o que tivé e fica tudo certo! Cê e o Outro Tiozin

[continua]

um tiozin

Blackfish (Ou o Inesperado Documentário Extremamente Bacana Sobre Baleias)

Assisti Blackfish, um documentário sobre a trajetória da vida de uma baleia assassina (Tilikum) que participava de apresentações em parques aquáticos e esteve envolvida em alguns trágicos acidentes com seus treinadores. Mostra também algumas outras baleias dos parques e outros acidentes, uns não tão trágicos quanto outros.

Apesar de não falar sobre qualquer outro animal, o documentário te deixa com a pulga atrás da orelha, te faz imaginar como é a vida, não só dessas baleias, mas todos os bichos de parques aquáticos e zoológicos. Resumindo: dever ser uma merda!

O ponto interessante é acompanhar toda a vida de Tilikum, desde o momento em que foi capturada, o primeiro parque, como ela foi atacada por outras baleias em outros parques, todos os acidentes que a envolveram e todas as mentiras, enganações e ~tramóias~ que os parques fazem para manterem esses animais.

Na verdade a última palavra que podemos usar pra descrever as mortes dos treinadores é “acidente”, pois este significa que algo trágico aconteceu e ninguém pode prever. Bullshit. Até uma pedra debaixo de outra pedra debaixo de uma montanha debaixo de um oceano debaixo de um meteoro chegando na Terra, saberia que prender animais e obriga-los a fazerem um show, umas piruleta, umas voltinha nuns arco, daria errado.

Primeiro indício: O nome do bicho.

Hoje em dia conhecemos muitos animais perigosos e que de alguma forma ameaçam nossa vida. Nós temos jacarés, tubarões, cobras, elefantes, leões, etc. Poucos são os que tem a coragem de “brincar” com esses animais e menos ainda são aqueles que fazem dessa brincadeira um show num dos maiores parques do mundo.

Nós temos um conceito de baleia formado nas nossas cabeças: um puta bicho gigante que mora no oceano. Agora imagine um animal conhecido como “Baleia Assassina”: um puta bicho gigante que mora no oceano QUE MATA AS PESSOA TUDO POR ISSO NAO VACILE!

É como chamar o Tubarão de “Golfinho do Capeta”, Jacaré de “Grande Lagarto do Inferno”, Elefante de “Capivara Amaldiçoada com Tromba”, Cobra de “Minhoca com Veneno Mortal”, Leão de “Gatinho Estripador de Humanos, Saída Estratégica pela Esquerda”.

Você não fica perto de animais com esses nomes. Esses são os que você deixa quietinho, tranquilinho, porque um vacilinho e você se fodeuzinho.

Ela não chama Baleia Assassina por escolha própria. Ela não viu num seriado e colocou de nickname no twitter, no personagem de World of Warcraft. Algum humano deu esse nome como aviso.

É tipo dar uma volta de mão dada com o Homem do Saco num bosque escuro. Você não faz esta merda. É tipo ler a placa “Não pule desta montanha, é muito alto, muito alto mesmo, você vai morrer com certeza, não há menor chance de sobrevivência, sério!” e pular. Você. Não. Faz. Esta. Merda!

Segundo indício: O tratamento.

Vamos imaginar: Você vivia na sua casa, ia para todos os lugares dela, as vezes até saía dela, mas sempre voltava. Então alguém decide que você e pessoas totalmente desconhecidas vão passar a maior parte da vida na cozinha, sem poder sair de lá. Uma vez por semana você pode, sei la, jogar videogame, mas com uma platéia GIGANTE te observando. Nos outros dias da semana você fica treinando no modo escravo suas habilidades videogamísticas pra não fazer feio pra plateia.

Só de escrever toda essa situação eu já estou meio estressado, meio agitado e nervoso. Me debati aqui na parede, bati no meu irmão, afoguei meu treinador, situação horrível aqui!

Pois então, é mais ou menos isso que acontece com essas orcas. O modo de vida delas acarretaram em muito estressa e uma espécie de depressão que às deixavam instáveis e com comportamentos agressivos! Não importa o quão amigáveis sejam os treinadores, o quão forte é o elo entre eles e os animais, o quão bem os animais são tratados. Uma hora vai dar erro.

Enfim… Assistam Blackfish. Tem histórias incríveis e te mostra uma outra forma de ver o mundo animal.

O Primeiro Português (ou a Inesperada Piada Infame)

Já peregrinava há 4 luas, quando finalmente avistou seu destino. Uma vila com um centro comercial de tamanho considerável, onde vários povos de várias culturas se encontravam para trocar especiárias.

José e sua mula andavam com este mesmo objetivo até a cidade, procurando um comerciante em específico que havia combinado de encontra-lo numa estalagem conhecida para trocarem seus produtos. Já se conheciam há muitos anos e eram muitos amigos, mas era a primeira vez que José o encontraria nesta vila.

Chegando a entrada, um soldado abordou José, dizendo “Alto lá! Se tu pretendes passar pela avenida principal para visitar a Estalagem Enigma Saltitante, a Praça Comercial, a Casa da Mãe Joana e Bairros Residenciais, evites a marginal, pois está com o pior engarrafamento desde 5301 a.C., já que por ali peregrina o Messias!”

José agradeceu-o pelo aviso e achou conveniente, pois sabia que passaria exatamente por aqueles lugares. Evitou a marginal, passou na frente da Casa da Mãe Joana, que, diga-se de passagem, era o melhor salão de festas da região, e chegou à Praça Comercial.

Por ali andou e observou todos os tipos que a frequentavam. Altos, baixos, magros, gordos, muito gordos, muito magros, feios, uns menos feios, mas basicamente todo mundo feio, inclusive José. Observou também uma figura velha, de túnica branca, montar um palanque de madeira (ou também uma pequena caixa que antes guardava tomates), subir em cima deste e anunciar “Ouçam todos! Ouçam todos! Ouçam aos recados e avisos deste dia! Hoje, ao meio dia, teremos o apedrejamento diário. A condenada de hoje é Maria, por traição! Temos também o jantar comunitário para os mais pobres, logo mais à noite! Não se esqueçam também de pagar suas dívidas e taxas. Lembrem-se: se não pagarem, amanhã pode ser você no apedrejamento! Para mais informações, deixem seus recados na caixa de mensagem!”. A figura se calou, desceu do palanque, desmontou-o e seguiu seu caminho.

José achou interessante as atividades da cidade, mas não tinha tempo para diversões, tinha que ir ao encontro de seu amigo mercador que já esperava há muito na estalagem Enigma Saltitante.

Ao chegar no seu destino, José foi saudado por seu amigo “José! Grande José! Já te espero há tempos, meu caro amigo! Chegastes bem na hora! Tenho uma surpresa para ti. Comprei dois ingressos para o apedrejamento, bem próximo da condenada. Poderemos ver de perto e, com sorte, jogar algumas pedrinhas!”. José, sem ter como recusar, seguiu seu amigo até o campo.

Chegaram, pegaram seus assentos sem problemas, compraram pedras de um vendedor que passava logo ali e aguardaram o início. O carrasco entrou em campo com Maria, foram para o meio, todos se preparavam e tomavam suas posições de lançamento, quando ouviu-se um tumulto ao longe.

“É ele! É ele” José ouviu a multidão gritando enquanto dava passagem ao homem que corria por entre as pessoas. Um homem alto, muito forte, cabelos longos e loiros, olhos azuis, barba cerrada, correu até o centro do campo sem cansar! Parou ao lado de Maria e gritou “PAREM! PAREM TODOS! QUEM SÃO VOCÊS PARA JULGAREM ESTA POBRE MOÇA? QUEM NUNCA ERROU, QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA!”.

José, desafiado, pegou a pedra e arremessou esta, que fez uma parábola perfeita até a cabeça da Maria, que caiu desmaiada! O homem urrou “ESTÁS LOUCO?! NUNCA ERRASTES NA VIDA?!

José respondeu “Ora, pois! Desta distância, nunca!”

The Martian (ou A Inesperada Volta das Postagens)

Oi eu sei que faz tempo que eu não posto aqui mas isso é irrelevante tão irrelevante que nem vou explicar nem colocar pontos nessa frase bora pro post.

[aviso quando tiver spoiler]

Há muitos e muitos anos atrás (tipo uns 4 meses), saiu um teaser viral de um filme com o Matt Damon no espaço. “Mas ué”, pensei, pois tinha acabado de rever Interstellar e lá estava o mesmo carinha, numa nave um tanto parecida, um pouco menor, porém sozinho e embalado a água.

A explicação viável: não tinha nada a ver com Interstellar.

Spoiler (não é sobre o filme, pode ler): Não tinha mesmo. Era o anúncio de um outro filme, inspirado num livro recente e que ganhou muita notoriedade por ser uma ótima ficção. Só sei isso do livro, desculpa.

Quando eu digo que não tem nada a ver com Interstellar, é porque não tem mesmo. Okay, tá bom, é um filme de viagem espacial, naves e Matt Damon, mas não vá esperando uma explosão de cabeças e super ciências malucas que vão derreter seu cérebro. E se você estiver esperando um Gravidade, de tirar o fôlego a cada cena, corre pra lá, voa pra cá, vai pra estação chinesa, uhul. Não também.

Uso esses dois filmes como referência porque é o que tem de melhor sobre ficção científica espacial recentemente. Bom… Agora são três filmes, pois The Martian trouxe algo, não diria novo, mas diferente. Poderia resumir como um “O Naufrago” em Marte, para quem ainda não assistiu. Agora vai logo assistir… Sério, vai agora… pode ir, eu vou ficar aqui esperando você voltar… Isso, levanta da cadeira… Pode parar de olhar pra tela do computador, vira pra frente e vai pra porta… Anda logo, para de olhar pra cá, pode abrir a porta… Já foi? EI! Eu tô te vendo aí, por favor sai agora e vai lá assistir… Isso, tchau! NÃO, PERA, VOCÊ ESQUECEU A CARTEIRA! Isso tá ali em cima do criado… Tchau! Bom filme!

Agora que eles, que não viram o filme, já foram embora, podemos começar com os spoilers!

Que filme gostoso de assistir, pulta que pariu! Que aventura show! Não é nada pretensioso, não tenta ser um filme GIGANTE, com várias voltas, muito complexo. Contudo ele consegue ser tenso nos momentos certos! Você, já treinado em filmes, fica o tempo todo torcendo pelo Matt Damon, mas fica esperando uma merda enorme acontecer a qualquer instante. Apesar de algumas merdas acontecerem, tudo continua bem porque todo mundo ali tá determinado a ajudar aquele personagem e ele tá disposto a viver!

Pensa comigo: Você sofre um acidente em Marte, sua equipe é obrigada a te abandonar, você é dado como morto, você acorda enterrado num monte de areia, você está sozinho em Marte. EM MARTE! Eu, do interior, não teria força de vontade de viver se acordasse no metrô de São Paulo, imagina EM MARTE OUTRO PLANETA LONGE PRA CARALHO SOZINHO SEM COMUNICAÇÃO!

Qualquer um ficaria chateado, abatido, sem vontade de cantar uma bela canção, mas por Deus! Esse é o Joseph Climber do espaço! Ele poderia ter desistido, mas não! Ele decidiu sobreviver, decidiu que esperaria 4 anos pela próxima missão em Marte, decidiu reunir suprimentos e fazer cálculos e, por fim, decidiu plantar batatas… em Marte… usando ciência, bitch!

Sobrevivência é, possivelmente, o tema que mais me atrai em ficções. E talvez seja por isso que eu joguei, quase todos os dias, durante dois anos, o famigerado Minecraft. O ser humano moderno, reduzido a humano, praticamente, das cavernas em questão de tempos, tendo que redescobrir aspectos da sua humanidade e da natureza que, hoje a gente nem tchum. Se esse não é um ótimo tema, eu não sei o que é.

Todas as manobras que Mark Watney faz sozinho e com ajuda do pessoal da Terra, são incríveis e totalmente palpáveis no mundo real. Menos o oxigênio que nunca acaba jamais infinito pra sempre gameshark código hacker da vida. Isso ficou meio sem explicação, meio sujeito a interpretação. O tempo todo se fala de recursos e como eles são escassos, mas o oxigênio quase nunca falam sobre e só deixam a entender que, na estação onde o Watney fica, tem um puta suprimento de oxigênio nunca mencionado, pra suportar 6 pessoas, porém ele tá sozinho, então não acaba. O que fica inconsistente nisso é a proporção, já que a comida, de 31 dias pra 6 pessoas, duraria pouco menos de um ano pra uma pessoa, mas o oxigênio tem pra cacete pra mais de dois anos.

Essa parte talvez seja a única que o filme peca para o que ele propõe. Contudo, vi comentários sobre o filme apresentar muitos personagens e não se aprofundar em quase nenhum deles. De fato isso acontece. Porém não é um ponto negativo e, talvez, o mais sagaz do filme. Explico:

Matt Damon é um cara que foi abandonado morto em Marte. Aí descobrem que ele não está morto, na verdade, muito pelo contrário, ele está tentando sobreviver num ambiente completamente adverso à vida humana. Isso traz nas pessoas, por mais piegas que pareça (e a palavra piegas já me parece muito piegas), uma esperança. Todo mundo, quase que literalmente (apesar do foco no EUA), se junta para conseguir voltar pra Marte a tempo de salvar a pessoa que está sobrevivendo em Marte. O fato de não aprofundarem nos personagens da Terra, nem muito nos colegas de tripulação do Watney, serve para mostrar que não importa quem está ajudando, não importa quem são, quem eram e quem vão ser aquelas pessoas. O importante é salvar um ser humano que conseguiu plantar batatas em outro planeta. O ser humano que provou a possibilidade de se viver em outro planeta e os vários avanços que isso traz para a humanidade. Se um conseguiu se virar, outros também podem.

Para pra pensar: Primeiro nós descemos das árvores, voltamos e descobrimos que é seguro. Depois saímos das nossas tribos, voltamos e descobrimos que é seguro. Então saímos do nosso continente, voltamos e descobrimos que é seguro. Se em alguma dessas etapas, alguém não tivesse voltado, talvez nem sairíamos de novo.

Não se trata de salvar um homem, se trata de provar que estamos prontos para dar mais um passo na evolução humana.

Enfim, o filme é muito bom! Fotografia fantástica, direção do Ridley Scott ótima e diferente do que ele já fez “fora da Terra”, trilha sonora foda (vou só citar Starman, do David Bowie, que eu tô ouvindo desde que comecei a escrever esse post) e história sensacional e honestíssima!

E se você leu isso aqui sem ver o filme, porra que vacilo… Mas vai ver sim, porque eu não comentei UM MONTE de coisas sobre. CORRE CARAI!The Martian

A Esperança de uma nova saga bem feita!

Diário de Bordo 271114 – Descobri que virei fã da saga Jogos Vorazes. Obs: J Law tem sua parcela de culpa.
E é engraçado lembrar da minha história com esse filme porque no início achei que seria mais um filminho bobo de paixões adolescentes aproveitando a onda de Crepúsculo (eu acabei de inventar essa categoria de filmes, breve nas locadoras haverá uma sessão com esse nome). Porém ao conversar com um amigo que já havia lido todos os livros descobri que talvez eu estivesse redondamente enganado spoiler: eu estava. Ele me explicou meio por cima a história, sobre o conflito político e foi essa parte que me interessou.
Resolvi então fazer um investimento de tempo e atenção para parar, assistir e analisar o que achava do primeiro filme. No final das contas achei legal e me convenceu a ver próximo, apesar do receio de ser um filme bobo adolescente ainda permanecer.
Fui assistir o segundo e tudo começou a mudar, rumando pelo caminho contrário do que eu esperava, a trama ganhou uma seriedade maior. As consequências dos Jogos do filme anterior e as tretas políticas começaram e se misturaram com o sentimento de por favor não matem o personagem da J Law, ou seja, o segundo filme te dá um gostinho do que vai acontecer no terceiro junto com elementos do primeiro.
E eis que chegamos no terceiro, dividido em duas partes para que tenhamos mais tempo de contar a parte mais importante das história… Hahahahaha hahaha ha a… Pode ser que em algum lugar do coraçãozinho dos produtores seja isso, mas na verdade é só pra ganharem mais dinheiro.
Na real não me importo que tenham dividido o último, acho ótimo pra falar a verdade. Ver a Jennifer Lawrence nunca é demais! Aliás ela é o elemento que mais me interessou no Jogos Vorazes e Em Chamas. Você teme e torce por ela o tempo todo, se importa apenas que ela saia com vida dos jogos e tá meio que cagando pro resto. Só no desenrolar do segundo que você vai entendendo que a trama do filme vai muito mais além de jogarem tributos na arena.
A Esperança sequer tem os jogos!
E é por isso que eu virei fã.. Chega de focar só na Katniss, a parada agora é mundial ou distrital risos risos risos. Ela ainda é a personagem principal, mas agora o filme não é sobre ela e sim sobre a visão dela a respeito da guerra/revolução/tretas que à envolvem.
Eu que sempre me interessei por historias com conspirações políticas e que recentemente comecei a ler 1984, recebi o que esperava ver quando investi meu tempo lá atrás no primeiro.
Sem querer dar muitos spoilers, mas ha uma parte em que começam à planejar a “campanha politica” da Katniss como O Tordo Que Vai Salvar a Galera e é simplesmente genial. Eles usam as mesmas artimanhas midiáticas que a Capital usava para manipular as pessoas, à favor da revolução. Mostrando como a propaganda pode inspirar uma guerra abraços para Adolfinho o alemãozinho nervoso.
Saí do filme felizão, satisfeito e querendo urgentemente a Parte 2 na minha mesa!
Enfim, se eu escrevo mal e não deu pra entender meus pontos à favor da saga, meu argumento final é: Tem a Jennifer Lawrence atuando magistralmente 80% das cenas porra! Isso já é mais do que o suficiente!!1!11onze!centoeonze!1

“Fiiu fiiiu fiiiiiu fiiiiiu” – Tordo

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Journey – O simulador de amizades!

Esse texto é dedicado aos meus amigos Breno, Mauricio, Bela e Ana, não porque vou falar de um jogo que simula amizade, mas porque eles odeiam este joguete.
Me lembro até do sábado a noite em que chamei esses amigos para irem lá em casa comer, rezar e amar beber e assistir alguma luta, se não me engano aquela trágica em que o Anderson Silva achou que era um boneco e quis mover a articulação da canela, contra a canela do outro lutador.
Porém antes do incio da luta haveria muito tempo pra gente passar conversando, enchendo o saco um do outro e julgando os outros coleguinhas. Foi quando eu decidi que era uma boa ideia mostrar alguns joguinhos que tinha zerado recentemente, sendo um deles Journey.
Talvez (mas só talvez) a forma que escolhi apresentar o jogo não tenha sido muito dinâmica nem prática, mas eu queria mostrar toda a fodacidade dele de uma só vez, então pensei que termina-lo de novo enquanto eles assistiam era uma boa ideia.
Não foi.
Apesar de ser de curta duração (entre 2~3 horas), o gameplay é lento, calmo e tranquilo. Muito diferente do que um UFC Satuday Night Live with Anderson Silva’s broken legs deveria ser.
Talvez por isso eles odeiam tanto o jogo e talvez por isso as coisas que passei a apresentar pro esses amigos já vinham acompanhadas da pergunta feita por eles: isso daí não é um journey não né? E talvez por isso Journey virou adjetivo para as coisas merdas que eu apresento pra eles.
Poxa :/
Mas eu os entendo. Journey deve ser jogado sozinho, sem interrupções e, se puder, num volume consideravelmente alto e no escuro. Ao contrário disso, acredito eu, parte da experiência se perde por causa de alguns fatores: O primeiro sendo o fato do jogo ter uma das melhores trilhas sonoras (como já mostrei nesse post aqui) da vida; segundo por ser um extremamente iluminado nas partes mais bonitas e bem feitas, que é pra te fazer cair no chão em posição fetal e chorar de tão lindo; terceiro por ser o tal simulador de amizades.
Journey, como o nome já diz, é uma jornada que passa por vários ambientes opressores, ou por serem enormes e vastos demais, ou por ter inimigos enormes, vastos e rápidos demais, tornando a batalha uma opção inviável e se esconder a mais saudável.
Mas então, como funciona esse simulador de amizade? Journey foi feito pra ser jogado no multiplayer online, apesar de apresentar a opção singleplayer offline, porém já adianto que esse só serve para quem quer pegar todos os troféus e desbloquear tudo.
A diversão mesmo é no online, onde você tem a total experiência que os desenvolvedores queriam passar, pois não pode se conectar com um amigo que tem adicionado na PSN, mas sim com alguem aleatório ao redor do mundo que você nem sabe o nome e nem pode se comunicar, já que eles desabilitaram também o microfone do PlayStation.
Ao entrar num jogo com um ambiente opressor e trilha sonora imersiva faz com você busque uma zona de conforto, algo pra se apegar e não tornar aquilo tudo tão assustador e é aí que seu amigo desconhecido entra em ação, pois os 2 estão na mesma situação e começam a cooperar pra sair dali juntos.
Pra exemplificar melhor, darei exemplo de três situações que passei, três tipos diferentes de amizades:
A primeira, literalmente a primeira, pois aconteceu na primeira jogatina. Quem estava comigo, tratei como se fosse uma especie de mentor, um professor, um guia que já sabia os caminhos que seguir e em que partes tomar cuidado pra não ser atacado.
A segunda foi mais uma sensação de igualdade, 2 amigos que sabem a aventura que vão passar, que já conhecem mais ou menos os caminhos e que juntos vão se ajudando. Essa experiência se repetiu por muitas outras jogatinas também, tendo até uma variante onde encontrava jogadores que sabiam o caminho, mas que não seguiam certo de propósito só pra te encher o saco.
A terceira, depois de já ter desbloqueado tudo no jogo, foi o inverso da primeira, em que eu já conhecia tudo e fui guiando quem estava comigo pra achar todos os itens pra coletar e ajudá-los a terminar o jogo  assim como me ajudaram no inicio.
O mais interessante, talvez, é que como não tem compatibilidade com o microfone, o único meio de comunicação é um somzinho que o seu personagem emite ao apertar Quadrado, um som como se fosse pra chamar a atenção do seu amigo desconhecido, pra dizer aonde você está no mapa ou aonde vocês tem que ir. O personagem emite apenas um som, uma nota só em algum instrumento, mas já o suficiente pra você entender o que ele quer dizer, como se fossem amigos ha tempos e o nível de broderagem já permite compreender uma frase inteira do seu amigo só olhando.
Faltou comentar muitos aspectos da jogabilidade, alguns outros pontos ficaram mal explicados, mas acho que só pelo simulador de amizades já deu pra entender o quão grandioso esse jogo é e porque ele é tão foda pra todos que conseguiram essa experiência por completo.

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