“Ati e ali”

Antes de começar de fato historinha de hoje, crianças, tenho que deixar claro sobre 2 pequenos problemas: O primeiro é a dificuldade extrema que eu tenho em prestar atenção em qualquer situação. Só para ter ideia, só em escrever esse parágrafo eu já parei 2 vezes (3 agora) de digitar, tentando encontrar palavras que se encaixem bem no texto, e nas duas situações (que agora já subiram pra 4), eu viajei fortemente sobre algo que li nas interwebs da vida e me esqueci completamente sobre o que fazia na vida real (que no caso, era escrever esse texto). A parte engraçada disso é que eu viajo em qualquer situação, EU DISSE “QUALQUER”! Mais para frente entenderão à que nível levo isso.

O segundo problema é na verdade uma mania peculiar, que pode ser facilmente confundida com a de organização, mas na real é bem diferente: Tudo que esteja fora do meu padrão, eu me sinto na obrigação de arrumar e se não puder, vou me contorcer no chão e babar pela boca… Não… mas eu vou ficar ligeiramente MUITO incomodado. Um exemplo:

PORQUE SENHOR

PORQUE? Porque, senhor acentador de piso, você não fez o ladrilho na forma padrão? Porque o Sr eternizou esse pequeno pedaço de agonia no cimento, no piso de uma casa?

Ta vendo, isso me deixa maluco! E antes fosse só com imagens desse tipo. Se algo está errado, qualquer coisinha (sempre são as pequenas COISINHAS), eu ja me sinto mal, meu olho começa a pulsar e eu mato um cachorro atropelado… essa ultima parte foi brincadeira, mas se um dia eu a fizer, já sabe porque.

Posto isso em mesa, podemos começar a história (e você que achou que eu já estava terminando.. pena)

Lá estava a minha pessoa, sentada da forma mais corcunda possível por causa do peso do tédio nas costas, olhando para a tela no notebook, alternando entre Facebook, twitter , youtube, facebook, twitter, youtube, pausa para ter alguma ideia de texto pro blog, facebook, twitter e youtube.

Orei para os deuses me tiraram do marasmo e eles responderam com um cliente. “Ae porra! Finalmente algo pra fa….” pensamento interrompido depois que analisei o sinhôzinho que entrava na loja e me perguntava sobre uma torneira. Quase que de imediato, minha sensação de alivio foi trocada por “ish, isso vai longe!”. E foi…

Para entender o dialogo – quase monólogo – criei algumas legendas que podem ajudar na leitura:

Em negrito -> Minhas falas

(entre parenteses) -> Meus pensamento

Escrita normal -> Velho

-Bom dia!

-Bom dia…………. (então Sr, essa é sua deixa pra me pedir o que quer)

-Então, cê ta precisando de algo? 

-Tava procurando uma torneira……….

-Onde você vai colocar, na pia do banheiro, no tanque?

-Então é (putz la vem a história da vida dele……. Caramba! ele parece o velhinho da Pixar, não pera, todo mundo a partir dos 60 anos parece o velho da pixar..) e ai eu to fazendo esse serviço la pra moça e ela ter uma torneira (ela o que, senhor? Acho que eu to com problema no ouvido) no tante (na onde!? é acho que eu preciso ir num médico de ouvidos, será que existe isso?) pra poder encaixar a mangueira te (MASOQ? não, não sou eu que to ouvindo errado) inclusive ja tem um adaptador.

-Então… (okay, acho que eu meio que entendi mais ou menos, assim, quase que nada) a gente tem essas torneiras aqui.

-Essa vai servir. Nem sei porte (to sacando qualé que é desse Sr) eu peguei esse serviço, mas sabe como é a vida, vou ganhando meu dinheiro fazendo um serviço ati e ali…. 

A próxima hora de dialogo é praticamente irrelevante… O melhor jeito de entender é explicando:

O senhor utiliza de uma habilidade que só velhos podem usar. A habilidade que eu almejo muito, quando também for de idade, falar errado sem se importar. Ele substituía o “qu” por “t”. Não porte não sabia o português correto, tenho certeza te ele sabia muto bem da gramática, não parecia ser burro, muito pelo contrario.

E só de ouvir o jeito “não padrão” dele falar, eu já me contorcia pra corrigi-lo. Reparei até que todas as vezes que eu fala alguma palavra com “qu”, dava uma conotação maior nela, numa tentativa falha em mostrar por senhor como seria o certo de se falar. Minha vontade era de que, ou ele falasse certo (impossível) ou ele fosse embora logo (que também era impossível, já que todo idoso conta a história da vida dele, não importa a situação). Por fim, passei 1 hora do dia ouvindo as facetas dele,  na vida real, mas agonizando e montando todo um background do porque ele falar errado, na minha mente.

Fim dessa história bonita de amor e alegria!

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2 comentários sobre ““Ati e ali”

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